CUIDAR DOS PÉS É CUIDAR DA VIDA
A morte do cantor de brega e seresta Ray Douglas, aos 58 anos, no Maranhão, trouxe comoção aos fãs e levantou um alerta que vai muito além do mundo da música: o perigo real e frequentemente subestimado do pé diabético.
Segundo informações divulgadas por seus empresários, Ray Douglas era diabético e faleceu em decorrência de complicações de uma infecção no pé, uma condição clínica conhecida como pé diabético. O velório ocorre em Imperatriz e o sepultamento em Grajaú, sua cidade natal. Mas o que poderia parecer “apenas uma infecção” é, na prática, uma das principais causas de morte evitável em pessoas com diabetes.
O pé diabético não é uma doença isolada. Ele é o resultado de três fatores comuns no diabetes mal controlado:
Neuropatia diabética – perda da sensibilidade nos pés
Má circulação sanguínea – dificuldade de cicatrização
Baixa imunidade – maior facilidade para infecções
Com isso, pequenas lesões, calos, bolhas ou rachaduras passam despercebidas. Quando o paciente nota, a infecção já pode estar profunda, atingindo músculos, ossos e até a corrente sanguínea.
Em muitos casos, a infecção evolui para:
Gangrena, com morte do tecido
Osteomielite, infecção óssea de difícil tratamento
Sepse, quando a bactéria atinge o sangue
A sepse é uma emergência médica grave, capaz de causar falência de órgãos e levar à morte em poucos dias. É, infelizmente, uma realidade frequente em casos avançados de pé diabético.
Estudos mostram que:
Até 25% dos diabéticos desenvolverão pé diabético ao longo da vida
Mais de 80% das amputações em diabéticos começam com uma simples ferida
A maioria das mortes ocorre por atraso no diagnóstico e no tratamento
Ou seja: não é falta de tratamento, é falta de atenção precoce.
Todo diabético deve procurar atendimento médico imediato se notar:
Feridas que não cicatrizam
Inchaço, vermelhidão ou calor no pé
Mau cheiro ou secreção
Escurecimento da pele
Febre, mal-estar ou confusão mental
A perda de Ray Douglas não deve ser apenas motivo de luto, mas também de conscientização. O pé diabético não é um detalhe, não é simples e não pode ser tratado em casa.
Cuidar dos pés é cuidar da vida.
Examine os pés todos os dias
Nunca ande descalço
Hidrate a pele (sem passar entre os dedos)
Corte as unhas corretamente
Controle rigorosamente a glicemia
Faça acompanhamento regular com profissionais de saúde